É verdade que muitas pessoas insistem em perseguir e defender seus interesses pessoais. Mas também é verdade que muitas pessoas insistem em perseguir e defender desinteressadamente os interesses de outras pessoas e do coletivo.







domingo, 26 de fevereiro de 2012

10 perguntas que os pais devem fazer aos professores

PARTICIPAÇÃO

10 perguntas que os pais devem fazer aos professores

A participação dos pais na escola ajuda no desempenho escolar das crianças. Uma boa maneira de começar é falando com os mestres

26/01/2012 19:10
Texto Bruna Nicolielo
Educar
Foto: Dreamstime
Foto: Demonstrar interesse pelo aprendizado das crianças é o primeiro passo para melhorar o desempemho escolar delas
Demonstrar interesse pelo aprendizado das crianças é o primeiro passo para melhorar o desempenho escolar delas
Pais educam, escolas ensinam: apregoa um velho provérbio. De fato, é um erro atribuir à escola a total responsabilidade pelo desempenho escolar das crianças. Pesquisas em todo mundo mostram que o envolvimento da família na vida escolar dos filhos é vital para o desenvolvimento deles. A parceria pais + professores é considerada tão importante que governos pelo mundo investem em medidas para incentivar a presença dos pais na rotina da escola. Em Nova York (Estados Unidos), onde  medidas fizeram com que a cidade fosse considerada um dos sistemas com trajetória de forte melhoria no mundo, segundo um relatório da consultoria Mckinsey, de 2008, existem políticas públicas específicas para estimular a participação dos pais.

Uma das principais iniciativas tomadas pela prefeitura foi a de criar a posição de coordenador de pais para cada uma das escolas públicas da cidade. Esse profissional trabalha como mediador entre a escola e a família: acolhe os pais, tira dúvidas e ajuda quem não pode participar de reuniões da Associação de Pais e Mestres. No Brasil, o MEC, secretárias estaduais e municipais começam a se engajar nessa luta para envolver a família. As escolas brasileiras mais bem colocadas no Ideb (índice de desenvolvimento da educação básica) também têm estratégias para atrair os pais para dentro da escola. "Isso faz a diferença entre uma boa escola e uma mediana", diz Eliana Aparecida Piccini Coelho, diretora da escola André Ruggeri, de Cajuru (SP), com nota 7,9 no indicador governamental.

A participação é importante, sim, e por isso o trabalho dos pais precisa estar em sintonia com a escola. E, nada melhor, do que uma conversa (ou várias) com o professor da criança para descobrir como ajudar. "A família tem de contar com a escola para cuidar dos filhos, mas essa responsabilidade deve ser compartilhada. Senão, vira um jogo de empurra-empurra e quem sofre é a criança" diz Luciana Fevorini, coordenadora de ensino fundamental II do Colégio Equipe, em São Paulo.

Como começar a conversa com o professor? O contato pode ser informal, aproveitando as entradas e saídas da escola, ou por meio de um telefonema. "Os pais podem ligar para a escola e perguntar o melhor momento para fala "Os pais podem ligar para a escola e perguntar o melhor momento para falar com o professor. Mas a escola deve lembrar que a maioria dos pais trabalham e que, muitas vezes, alguns horários são proibitivos", diz a psicóloga e educadora Ana Inoue. É papel da escola propor momentos de contato entre pais e professores. Se a escola não fizer isso, a família pode exigir a abertura de um espaço para conversa.

Muitos pais, no entanto, podem sentir-se constrangidos em questionar os professores sobre a vida da criança na escola. O motivo, muitas vezes, é o desconhecimento. Demonstrar interesse pelo aprendizado do filho, independente do nível socioeconômico, é o primeiro passo para que ele melhore na escola. "Mesmo que não tenham estudos, os pais podem, sim, conversar com o professor", diz a pedagoga paulista Carmen Galuzzi. Para ajudá-lo na tarefa de iniciar o diálogo com o mestre de seu filho, consultamos especialistas e identificamos 10 perguntas que podem servir de ponto de partida.




Para ler, clique nos itens abaixo:
1. Meu filho participa das aulas?
É importante saber se a criança tem feito as lições propostas em classe e participado das atividades. Independente da faixa etária, a participação indica o envolvimento do aluno. "O professor pode dizer se a criança demonstra curiosidade ou se é apática", explica Ana Inoue, coordenadora do Instituto Acaia, em São Paulo (SP). Professores de crianças maiores podem ser perguntados sobre o interesse que os jovens demonstram -- ou não -- nas aulas. "Participar ativamente, fazendo e respondendo perguntas, evidencia o potencial de aprendizagem do estudante", completa Ana.
2. Como meu filho se relaciona com colegas, professores e escola em geral?
Com a resposta a esta questão é possível avaliar se a criança está se socializando e respeitando as regras da escola. Muita agitação ou timidez podem ser indício de que algo vai mal. E o professor, que convive muito tempo com a criança, deve sinalizar esses comportamentos aos pais. "Crianças manifestam problemas disciplinares, que a família muitas vezes não percebe, na forma de dificuldades de adaptação na escola", diz psicólogo Jacques Akerman, de Belo Horizonte (MG). Muitos pais podem achar que a criança é tímida em casa e saber, pelo professor, que ela tem boa integração social na escola. O contrário também pode ocorrer. "A família pode achar que a criança se relaciona bem e descobrir que ela é tímida na escola" explica Luciana Fevorini. Outros aspectos são importantes: ela chora? Come direito na escola? "Os pais precisam ficar atentos também a esses detalhes", diz Luciana Fevorini.
3. Devo ajudar nas tarefas de casa?
Muitos pais ficam em dúvida entre corrigir o dever de casa ou não. O professor pode mostrar quais são as melhores posturas em relação à tarefa, quais atitudes devem ser evitadas. O ideal é combinar com ele, pois podem ocorrer divergências entre as instruções da escola e da família. "Muitos pais ficam preocupados em corrigir erros ortográficos, mas, muitas vezes, isso não importa tanto para o professor, que observa o conjunto e a evolução do aluno", diz Luciana Fevorini.
4. Como ajudar nas tarefas?
Algumas crianças, por força do hábito, só fazem o dever na companhia de um adulto. Nesse caso, os pais podem acompanhar a lição, claro, supervisionando a atividade e, assim, estimulando a autonomia. "A família não pode fazer a tarefa pela criança, jamais", ressalta Carmen Galuzzi. Quando os pais não têm condições de ajudar na lição -- e não importa se o motivo é a falta de tempo ou o desconhecimento --, não há motivo para vergonha. Devem pedir orientações mais claras à escola e até contarem seus problemas, dizendo com franqueza que nunca aprenderam determinados assuntos. Mesmo porque os métodos mudaram muito, a começar pela alfabetização, com a substituição das velhas cartilhas por sistemas considerados mais modernos. Outro motivo comum é a dificuldade de alguns pais com pesquisas pelo computador. Se não puder ajudar, o melhor é informar a escola. Seu filho só tem a ganhar com isso -- e você pode tentar aprender o que não teve oportunidade de estudar antes.
5. Como posso me integrar à escola?
O professor explicará se a escola tem associações de pais e como aderir a elas. Além disso, falará sobre outras formas de inclusão da família na escola -- muitas têm projetos no contraturno e no fim de semana que envolvem toda a comunidade. O programa Tempero de Mãe, desenvolvido na rede municipal de Sud Menucci, no interior paulista, é um exemplo: envolve mães na preparação da alimentação escolar e por tabela, no dia-a-dia da escola. As candidatas são selecionadas, contratadas e remuneradas pela Associação de Pais e Mestres (APM). Você também pode apoiar a abertura da escola do seu filho para a comunidade, organizar e participar de atividades extra-classe que acontecerem nas dependências da escola. "Se você é bom em música, por exemplo, ofereça ajuda" afirma Luciana Fevorini. A psicóloga alerta, porém, para a possibilidade de pais ocupados se sentirem discriminados e isso gerar conflitos com a escola. "A família pode ajudar, mas os professores não podem contar com isso".
6. Qual a rotina da escola em relação às tarefas?
Procure entender como funciona a lição de casa. A escola costuma passar muitos deveres? Qual a freqüência? A lição exige muito tempo de estudo? Conhecer a rotina da escola em relação aos deveres pode ajudá-lo a acompanhar a criança e lembrá-la de fazer tarefa todo dia. "O pai pode não saber como ajudar, mas pode perguntar à criança se ela fez ou não a lição", diz Ana Inoue. Segundo a psicóloga, providenciar um lugar para os estudos também é uma forma de estimular os pequenos: "Pode ser qualquer lugar da casa. Vale até a mesa da cozinha".
7. Como a escola organiza comemorações?
Comemorações são ótimas formas de integração entre pais e mestres. Aproveite para se aproximar do professor do seu filho. Procure saber como a escola celebra aniversários de alunos e se permite a organização de festas. Mas há de considerar o outro lado da moeda: verifique se datas comemorativas, como o dia do índio, por exemplo, não interferem na carga-horária -- muitas crianças perdem aulas importantes para organizar festas que nada acrescentam ao aprendizado. "Sou contra comemorações do tipo data pela data", diz Luciana Fevorini, do colégio Equipe. Ela explica que os eventos devem integrar o planejamento e o currículo da escola. "Os pais têm de entender os objetivos da atividade e tentar esclarecer eventuais dúvidas", completa. Por isso, nada de inibições: você pode e deve tirar dúvidas e questionar a importância de determinadas atividades. "Muitos colégios valorizam a formação da cidadania e a cultura, mas o que conta mesmo é a leitura e a escrita" explica Ana Inoue. Para esta psicóloga, os pais devem perguntar o que a escola pretende ensinar com tais atividades e quais os conteúdos prioritários.
8. Como a escola avaliará o avanço do meu filho?
Tradicionais ou não, as provas diagnosticam o progresso da criança. Por isso, é importante entender quais são os critérios de avaliação da escola (a nota vai resultar da aplicação de uma prova de trabalhos ou dos dois?) e como a média é composta. Também é importante saber os motivos da nota da criança. "Em resumo, os pais têm de entender o que seus filhos precisam saber para tirar nota 10", afirma a psicóloga Ana Inoue. O mesmo vale para notas baixas. Peça exemplos concretos e não hesite em tirar dúvidas. Muitos professores, sem perceber, usam jargões e palavras difíceis, o que dificulta o entendimento dos pais e os afasta da escola.
9. Como é a comunicação entre a família e a escola?
Saber a melhor forma de se comunicar com a escola e também como ela vai responder é fundamental. Assim, dá para entender como a escola se relaciona com os pais, com que freqüência organiza reuniões, como notifica problemas e até como procede em caso de acidentes. "A família precisa saber a quem recorrer e como agir diante de brigas do seu filho com colegas, dificuldades de entendimento da matéria, entre outros", diz a psicóloga Ana Inoue. A comunicação pode ser feita via agenda, bilhetes ou telefone. "Mesmo assim, os pais podem ligar para escola quando acharem necessário", diz Luciana.
10. Qual é a sua posição em relação a faltas?
Saber se o professor faltará e quando isso vai ocorrer facilita o planejamento dos pais, ensina a psicóloga Ana Inoue. Em todo Brasil, a falta de professores (ou absenteísmo) é um problema sério. No Estado de São Paulo, por exemplo, os professores faltaram ao trabalho 15% do ano letivo de 2007. No ano passado, uma lei limitou o número de faltas dos docentes paulistas, mas esse controle não acontece nas demais regiões do país. Por isso, é importante antecipar-se e perguntar sobre o número de ausências previstas e sobre a postura dele em relação a isso.

O que “dizer” ou “não dizer” para os pais que perderam filhos

São poucas as situações que causam tanto desconforto quanto a morte. Ainda que se saiba que ela é inevitável e faz parte do curso natural da vida, ao acontecer na sua casa ou no seu grupo de amigos, não há quem fique indiferente.
Quando a morte inverte o curso da vida, e um filho morre antes dos seus pais, é muito comum que as pessoas não saibam o que dizer, como lidar com a situação e muitas vezes confundem-se entre seus próprios sentimentos e temores, sem saber como agir para ajudar as pessoas que sofrem.
No acompanhamento ao Grupo de Apoio para pais que perderam filhos da Fundação Thiago Gonzaga, escutamos muitos relatos de pais e mães sobre o que os ajuda na hora em que seus filhos se vão. São inúmeras as questões que surgem diante desta situação.
Primeiro por que qualquer mãe ou pai trocaria um filho iluminado, por um filho vivo. Quando a frase invoca Deus, até os que têm mais fé se perguntam “cadê Deus que não cuidou do meu filho”, “que Deus é esse que permite que os filhos se vão antes dos pais”. Que a vida continua todos sabem, e na mais dolorosa das dores, pensar nisso aumenta ainda mais o vazio de continuar sem a presença da pessoa amada. Comparar a perda de um filho, com qualquer outra é injusta, pois como foi falado no inicio do texto, é contra a ordem natural. Os filhos são a continuidade dos pais, que agora se encontram impossibilitados de se projetarem neles, e sem a chance de recuperá-los. Em hipótese alguma queremos dizer que qualquer outra perda seja fácil ou não tenha valor. Apenas que dor não deve ser comparada, nem medida.



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Contar às crianças que alguém querido morreu?


Comportamento
Faz parte da vida
Contar às crianças que alguém querido morreu
é difícil, mas o melhor é ser claro e direto

Marcelo Bortoloti

 
Oscar Cabral
Marisa e Maurício com seus filhos: a morte do avô encarada com maturidade
Todo pai e toda mãe têm a ilusão de poder evitar que seus filhos sofram. Esse impulso fica claro quando ocorre algum caso de morte na família. Crianças pequenas costumam ser deixadas à parte do assunto, já que, acredita-se, não possuem maturidade suficiente para entender o que aconteceu. Essa prática, comum no mundo ocidental por causa da dificuldade que os próprios adultos têm em lidar com a morte, está, entretanto, equivocada. A tentativa de proteção pode causar – e efetivamente tem causado – uma série de traumas em crianças que perderam algum ente querido. O alerta é da psicóloga brasileira Claudia Bigard, que cuida de familiares de pacientes com câncer no Hospital Pitié-Salpêtrière, em Paris. Depois de testemunhar diversos casos em que a má comunicação atrapalhou a superação da perda, ela produziu uma cartilha sobre como os pais devem abordar o tema da morte com seus filhos pequenos. A cartilha foi lançada no início do ano, na França, com o título Comment Parler aux Enfants de la Mort (Como Falar às Crianças sobre a Morte). Sua principal lição é simples: a notícia da perda deve ser dada de forma direta, não importa a idade da criança, utilizando a palavra morte e deixando claro que se trata de um acontecimento irreversível.
Os psicólogos concordam nesse ponto. Em geral, os adultos costumam dificultar o entendimento e o processo de luto próprios dessa idade. Abrandar o tema da morte com frases do tipo "fulano partiu" ou "foi morar no céu" ou simplesmente ocultar o fato são os erros mais recorrentes. A linguagem abstrata gera dúvidas que, sem respostas, trazem uma angústia ainda maior. Se uma pessoa parte e nunca mais volta, isso pode fazer com que a criança viva um drama de abandono. Dependendo da circunstância, ela também pode pensar que foi a responsável pelo que aconteceu. "Se nada for explicado, ela vai se estruturar psicologicamente de maneira desordenada e pode desenvolver outros sintomas mais tarde, como se tornar agressiva na escola ou voltar a fazer xixi na cama", diz Claudia. Sabe-se que crianças com 3 anos já começam a perceber a existência da morte, embora ainda não encarem o fato com angústia. Dos 7 anos em diante, a ausência de um ente querido ou de um animal de estimação é percebida como algo ruim e triste. Segundo a psicóloga, um estudo recente feito nos Estados Unidos mostra que qualquer pessoa, desde o dia em que nasce até completar 18 anos, testemunha em média 18 000 mortes, seja de forma indireta, pela televisão, seja de animais de estimação ou de algum parente.
O tipo de morte e o grau de proximidade da pessoa com a criança podem tornar o momento mais difícil. Mas, em todos os casos, é aconselhável ouvir o que ela tem a dizer, tentar responder a suas perguntas e ajudá-la a expressar o que está sentindo. O consultor imobiliário Maurício Soares, 46 anos, e sua mulher, Marisa, já vivenciaram esse drama. Nos últimos anos, tiveram de comunicar aos filhos Daniel, hoje com 9 anos, e Henrique, com 6, quatro casos de morte na família. Sua opção, desde o princípio, foi tratar o tema de forma direta, sem metáforas, e em todas as ocasiões a reação foi positiva. "Num primeiro momento eles ficam um pouco chocados, mas depois dá para sentir uma certa tranqüilidade na criança", diz Maurício. "Poderíamos ficar calados. Mas até quando é possível omitir um fato como esse?"
 
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